Violeiro Ricardo Vignini completa 30 anos de uma rica carreira musical

O violeiro, compositor, produtor fonográfico, professor de música e pesquisador cultural Ricardo Vignini completa neste ano 30 anos de carreira. Ao longo desta trajetória, gravou cinco CDs com a banda Matuto Moderno, integra o duo Moda de Rock com o também violeiro Zé Helder, produziu três discos e um DVD para o ícone da viola Índio Cachoeira e mantém uma prolífica carreira solo.

Entre gravações e apresentações, colaborou com artistas de vários gêneros musicais como Lenine, Spok, Liminha, Zé Geraldo, Pena Branca, Pepeu Gomes, Kiko Loureiro, André Abujamra, Robertinho de Recife, Os Favoritos da Catira, Pereira da Viola, Carreiro, Golpe de Estado, Picassos Falsos, Andreas Kisser, dentre outros. Ademais, mantém o selo Folguedo, dedicado exclusivamente a divulgar a música de viola.

Além de falar sobre as três décadas de trajetória profissional, o violeiro falou sobre o disco “Cubo” – seu trabalho mais recente, questões ligadas ao setor cultural, planos para o futuro e muito mais.

Por Álvaro Silva (rotasongs@gmail.com)

Como surgiu o interesse pela viola?

Ricardo Vignini: Comecei a tocar guitarra no final da década de 80, mas a minha mãe e avó eram de Águas da Prata e São João da Boa Vista, interior de São Paulo, fui criado escutando rock pela influência do meu irmão, música clássica e jazz pelo meu pai e minha vó gostava de Tonico e Tinoco. No meio da década de 90 aconteceu um movimento importante chamado Violeiros do Brasil, onde apareceram de uma vez só, Pereira da Viola, Ivan Vilela, Paulo Freire, Tavinho Moura, os veteranos Zé Coco do Riachão e Renato Andrade, aí fui à Del Vecchio e comprei minha primeira viola.

Você está completando 30 anos de carreira. Qual sentimento vem à tona em relação a esta data especial?

Vou fazendo as coisas e não reparo direito o tempo passar, mas quando olho para trás, percebo que já percorri um bom trecho.

Como você definiria a música que você faz?

Ricardo Vignini: Música de viola, apenas pego o instrumento e toco, não escolho se vai soar rock, caipira, blues etc. Apenas toco com as influências que tenho na minha cachola.

Qual foi o momento mais marcante nestas três décadas?

Bom, muitas coisas aconteceram nesses trinta anos. Posso citar minha participação no Rock in Rio com o Lenine, ter tocado com ídolos como o Pepeu Gomes e o Robertinho de Recife e ter tocado viola no sertão do México.

Como é viver de música no Brasil?

Ricardo Vignini: Difícil, igual todo lugar. Certa vez, estava andando em Nova Iorque com um grande músico e amigo chamado Woody Mann, ele perguntou: “- Ricardo, você vive só de música em São Paulo?”. Respondi que sim e ele falou que lá também não é fácil.

Quais artistas você indicaria para quem pretende se enveredar pelos sons da viola caipira?

Ricardo Vignini: Índio Cachoeira, meu mestre.

O álbum “Cubo” foi lançado no final do ano passado. Como foi o processo de gravação, seleção de repertório e escolha dos convidados especiais que participaram do disco?

Ricardo Vignini: No ano passado lancei três álbuns, não tinha a intenção de fazer o “Cubo”, mas trancado em casa e com um estúdio disponível, tive que fazer alguma coisa para extravasar esse sentimento. Tive que convidar pessoas que tinham como gravar em casa também, pois desde março não toco com ninguém presencialmente.

O repertório é composto por músicas que soam bem na viola, mas não fazem parte do universo violeiro.

As faixas “Cubo” e “Cada Um No Seu Quadrado” foram influenciadas pelo atual contexto da pandemia. Como você tem encarado esse momento sombrio e caótico que estamos passando?

Ricardo Vignini: Fazendo música todo dia. É a única coisa que eu posso fazer. De repente, devido à pandemia, acabou o palco que é o lugar que eu mais me sinto à vontade. Minha sorte é ter um estúdio em casa.

Muitos artistas e demais profissionais que atuam nos bastidores para girar a roda do entretenimento ficaram impossibilitados de exercer seu mister devido a pandemia. A resposta que os governos têm dado ao problema é satisfatória? O que você acha que pode ser feito para auxiliar o setor cultural?

Ricardo Vignini: Aqui em São Paulo, apesar de toda loucura, a Lei Aldir Blanc aparentemente tem funcionado. Quase 5.000 projetos foram contemplados. Acho que eles devem começar a aparecer depois de fevereiro. O duro é saber de cidades que não se interessaram em receber esse recurso.

Além da divulgação do “Cubo”, quais são os seus planos para 2021?

Ricardo Vignini: Estou gravando um álbum chamado “Raiz”, só com viola caipira tradicional, nunca fiz isso. Vai sair o documentário “Sessões Elétricas Para Um Novo Tempo”, e como completo 30 anos de carreira neste ano, vou lançar um crowdfunding para financiar um CD triplo com os três álbuns que lancei em formato digital no ano passado.

Maiores informações no site, Facebook, Instagram, YouTube, Deezer e Spotify de Ricardo Vignini.

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