Música instrumental: conheça o diversificado trabalho do guitarrista baiano Igor Gnomo

Músico aposta na diversidade rítmica e fala sobre trajetória na música instrumental, referências e outros assuntos

Nos últimos anos, o guitarrista baiano Igor Gnomo vem atraindo a atenção do público que aprecia música instrumental. Tendo como ferramenta de trabalho a guitarra elétrica, ele realiza uma mistura muito interessante de rock, jazz, baião, maracatu e ritmos africanos.

Atualmente ele está na estrada para divulgar seu terceiro álbum de estúdio, o excelente Formiga Preta, lançado em maio de 2021. O álbum reúne as participações especiais do baixista Michael Pipoquinha, do saxofonista Derico, do tecladista Italo Neno e do acordeonista Rennan Mendes. Trata-se de um trabalho executado com muita ousadia e musicalidade.

Em entrevista recente concedida ao Rotasongs, Igor Gnomo falou sobre influências musicais, os motivos que o levarão a seguir as trilhas da música instrumental, a experiência de gravar durante a pandemia, novidades para este ano e muito mais.  

Por Álvaro Silva

Você mistura vários gêneros musicais, passando pelo rock, jazz, baião, maracatu etc. Quais são suas principais influências musicais?

Costumo dizer que a minha música é uma simbiose sonora entre o jazz rock e influências da música brasileira, em especial do Nordeste.

Por influência dos meus pais, ouvi muita música brasileira (choro, baião e MPB) quando era criança. Um pouco mais tarde, quando comecei meus estudos musicais, meu primeiro professor de guitarra me apresentou ao rock setentista e ao jazz. A partir de então, tudo mudou em minha trajetória, considerando que minha primeira banda era de punk/hardcore, restrição musical nunca foi uma escolha. Sempre gostei muito de pesquisar sobre música, acho que isso define minhas principais influências, que passam pelo Deep Purple, Hendrix, Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Mike Stern, Macaco Bong e outros.

Por que você optou pela música instrumental?

Quando ouvi pela primeira vez o Chick Corea eu pirei! Não entendia muito sobre aquilo, mas a vontade de fazer algo parecido era muito forte. Comecei a trabalhar profissionalmente com a música aos 13 anos e, sob influência do guitarrista Luciano Magno (meu conterrâneo), que já era um grande representante da música instrumental, pensei em fazer algo parecido.

Comecei compondo as primeiras músicas e, logo na primeira experiência que tive tocando com outros dois músicos, decidi que era realmente isso que iria fazer.

Igor Gnomo em ação.

É sabido que a internet possibilita a presença virtual do artista e de sua obra em qualquer lugar. Apesar disso, estar longe de um grande polo/centro cultural ainda é um desafio para o músico que vive no interior?

Sim. É um tremendo desafio! É necessário estar bem flexível com as logísticas e ter duas ou três possibilidades em formatos para assim viabilizar a realização de apresentações em outros lugares, principalmente neste atual momento que estamos vivendo (custos altos). Costumo me adequar às possibilidades do mercado e filtrar o que realmente vai somar na difusão do meu trabalho e na prospecção do público.

Temos artistas incríveis nessa imensidão que é o Brasil, mas infelizmente, muitos desistem por não terem acesso aos grandes centros. O mercado se atualiza numa velocidade gigantesca! Somente aguardar o melhor palco ou momento para fazer acontecer não é a melhor solução. 

Há um ano você lançou seu trabalho mais recente – o álbum Formiga Preta. Como foi gravar durante o auge da pandemia?

Gravar à distância e aprender sobre os novos processos de gravação foi uma experiência única. As guitarras do álbum foram gravadas em minha casa. Pude experimentar cada timbre com calma, o que me trouxe uma paz em saber que escolhi o que melhor me representava naquele momento. 

Você já conseguiu se apresentar ao vivo para divulgar esse material? Em caso positivo, como foi a receptividade do público?

Lançamos o show Formiga Preta na minha cidade natal. Mais recentemente tive a oportunidade de me apresentar em Salvador também. A recepção do público foi incrível, pudemos flutuar sobre o Jazz Rock Nordeste e perceber o propósito da sonoridade estampado na reação do público. Estou muito satisfeito com essa missão.

Gravar um novo álbum já está nos planos?

Tenho algumas composições engatilhadas que não entraram no Formiga Preta, porém vão mais para a sonoridade afro-brasileira. Adoro a rítmica brasileira aplicada na guitarra.

Algo especial preparado para o segundo semestre deste ano?

Sim. Tenho um single pronto para ser lançado e uma breve tour por São Paulo. Quero levar o show Formiga Preta para diversos palcos no Brasil e quebrar essa lenda da “música instrumental apenas pra músico”.

Maiores informações no Facebook, Instagram, YouTube e Spotify de Igor Gnomo.

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