Maurício Barros, tecladista do Barão Vermelho, fala sobre “Não Tá Fácil Pra Ninguém” – seu primeiro álbum solo

Maurício Barros é tecladista, compositor, produtor musical e membro fundador do Barão Vermelho, uma das bandas mais importantes do rock nacional. Compôs os sucessos “Amor Pra Recomeçar” e “Por Você” (parcerias com Frejat e Mauro Santa Cecília) e “Puro Êxtase” (com Guto Goffi).

Apesar de ter participado das bandas Buana 4 e Midnight Blues Band, o artista se lança pela primeira vez em um projeto solo com o disco Não Tá Fácil Pra Ninguém, lançado no final do ano passado. O trabalho conta com 10 faixas inéditas compostas e produzidas por Maurício, dentre elas, parcerias com Otto, Arnaldo Antunes, Fausto Fawcett, Rogério Batalha, Gian Fabra e Mauro Santa Cecília.

Trata-se de um trabalho leve que abrange diversos estilos musicais, há espaço para samba, blues, indie rock, folk, pop e maracatu. As canções são melódicas e pontuadas por refrãos marcantes, cujas letras remetem a temas confessionais e questões atuais que permeiam o cotidiano (como a onda de negacionismo que se espraiou pelo mundo, por exemplo). Tudo é dito de maneira leve, direta e com uma boa dose de otimismo.

O Rotasongs bateu um papo com o Maurício Barros para conhecer melhor os pormenores de Não Tá Fácil Pra Ninguém, novidades sobre o Barão Vermelho, cujo álbum de estreia comemora 40 anos em 2022, influências musicais e muito mais.

Entrevista por Álvaro Silva / Fotos por Marcos Hermes.

Recentemente você lançou seu primeiro álbum solo – Não Tá Fácil Pra Ninguém. Foi algo que você pensava em fazer há algum tempo ou a ideia surgiu em razão da pausa na agenda ocasionada pela pandemia?

Faz tempo que a ideia de fazer um disco solo surgiu, mas no ano passado resolvi que estava mais do que na hora de mostrar para todos esse lado do meu trabalho.

A sonoridade é bem diversificada, mesclando estilos como samba, rock, pop contemporâneo e ska. Soar diferente do Barão foi algo intencional ou puramente decorrência do processo criativo e das parcerias?

Foi natural. Busquei o melhor arranjo para cada canção. 

Parte do trabalho foi realizado de forma remota, correto? Você já estava habituado a trabalhar dessa forma? Adaptar-se a esse cenário foi fácil?

Parte do material já estava gravado. Com relação as partes que faltavam, tive que me virar para resolver. A mixagem foi feita de forma remota. Quando eu achava que faltava alguma coisa, solicitava ao técnico, ele mudava e eu ouvia novamente até ficar satisfeito.

Apesar de tudo, gostei muito do resultado.

Talvez a faixa mais surpreendente seja o samba Não Tá Fácil Pra Ninguém, parceria com o letrista Rogério Batalha. O que surgiu primeiro nesse caso: a música ou a letra?

Essa música foi composta antes da pandemia. Ele me mandou a letra e eu fiz a música. Ela nem estava no repertório, mas quando comecei a pensar num título para o disco, achei que esse seria perfeito para esse momento. Mudei alguns versos para ironizar os negacionistas, pedi para o Marcelinho da Lua colocar as percussões, também acrescentamos cavaquinho e outros elementos. Ficou fora da minha zona de conforto, mas achei muito legal!

O álbum encerra com uma mensagem positiva presente na faixa “Não Desista”, nela você canta: “Não desista, porque ainda não chegou a hora, é preciso resistir”. Qual é o papel do artista diante dessa necessidade de resistir ao arbítrio, às injustiças sociais e outras mazelas que nos acometem enquanto sociedade?

O artista reflete o seu tempo. E esse momento atual está particularmente difícil. É uma canção sobre perseverança, mas também de resistência. Resistir às adversidades e aos absurdos diários desse governo federal.

Você pretende excursionar para divulgar o disco?

Pretendo fazer alguns shows no segundo semestre apresentando as músicas do álbum e outras de minha autoria gravadas pelo Barão e por outros artistas.

2022 é um ano muito especial para o Barão Vermelho, pois neste ano o álbum de estreia do grupo comemora 40 anos. Vocês planejam lançar algum material especial ou realizar apresentações comemorativas com repertório mais focado no disco?

Faremos uma turnê comemorativa e queremos brindar nossos fãs com algumas regravações com a formação atual, inclusive com música do primeiro disco.

Quando você o ouve atualmente, o que você pensa a respeito? É um álbum que te agrada?

Tenho orgulho. Eu tinha 18 anos quando gravamos esse disco. O repertório é muito bom. Éramos inexperientes no estúdio, mas tem personalidade e atitude.

Falando um pouco de influências musicais, quais tecladistas mais te influenciaram?

Rick Wakeman, Arnaldo Baptista, Elton John, os tecladistas de rock progressivo e os pianistas de blues e rock.

Além do que você já citou, podemos esperar mais alguma novidade sua para 2022?

Esse ano vou começar a pensar e gravar o próximo disco, mas com a dinâmica das plataformas digitais, eventualmente posso lançar um single a hora que me der vontade. O streaming mudou a forma como consumimos música.

Ouça o álbum Não Tá Fácil Pra Ninguém clicando aqui.

Maiores informações no site, Facebook, Instagram, Twitter e YouTube do Maurício Barros.

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